quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Relato sobre Síndrome do Pânico

O tema do blog não é esse, mas se cuidar engloba muita coisa, não? Vamos lá.

Depois de uma longa noite de insônia e de alguns dias tendo alguns sintomas, resolvi dar meu relato aqui, até porque me considero uma pessoa que já conhece a doença e que pode ajudar quem está na primeira crise (que, jesus, é terrível).

Tudo começou em 2005. Eu estava fazendo cursinho e passava por alguns conflitos familiares. O fato de ter de prestar uma prova no final do ano que decidiria minha vida e de querer mais que tudo ir morar em outro lugar desencadearam uma ansiedade monstra.

O primeiro sintoma de que eu me lembro aconteceu no cinema. Eu estava assistindo à Era do Gelo na primeira fileira. Claro, já não é nenhuma situação de extremo conforto, mas aquela posição e a demora pro final do filme começaram a me angustiar e... começou a fatídica falta de ar. A sala de cinema era escura e fechada (sério??) e eu comecei a ficar inquieta na cadeira, tentava respirar fundo e as pessoas ao redor começaram a perceber meu desconforto, foi bem chato. No momento, eu achei que pudesse ser alguma disfunção cardíaca (yey, achar isso faz parte dos sintomas), mas nem liguei, quem nunca teve uma falta de ar na vida?

Passados alguns dias, estava esperando uma aula começar na frente do cursinho com uns amigos e comecei a sentir náuseas. O coração acelerou. A falta de ar voltou. Pronto: eu estava tendo um ataque cardíaco (hoje eu acho essa situação meio engraçada.. aiuhaiuhaiuhaui). Eu falei que estava passando mal, mas juro, ninguém ligou. (bons amigos eu tinha nessa época..)Acabou passando quando eu desencanei de ficar pensando, mas eu já tinha na cabeça um diagnóstico completo: "Senhora, sua filha tem uma arritmia cardíaca grave e deverá morrer em breve."
Eu achava mesmo que eu ia morrer. Meus assuntos começaram a ser envoltos pela moça do capuz preto e eu já falava com as pessoas em tom de despedida.
- Até amanhã...
- Adeus..
- ?
- É que eu acho que vou morrer.
- Você é louca.

Aí entrou o outro fator óbvio: ou eu estava com sérios problemas cardíacos ou EU ESTAVA FICANDO LOUCA.Encanei que estava ficando louca. Claro, agora tudo fazia sentido, eu estava mesmo ficando louca.
Fiquei mais umas semanas podendo jurar que em breve eu estaria amarrada num blusão branco sem conseguir reconhecer meus pais.

Até que um belo dia, estava eu na casa de papis, e ele sugeriu que eu assistisse a um filme. Revirei os DVDs dele e achei "2001, uma odisséia no espaço" (ahhh, computador é um menino mau). De novo, fiquei um pouco aflita pelo fim do filme, mas nada comparado àquela cena terrível do cinema. Quando acabou, o computador matou todo mundo e tal (hahahhahah mentira.), eram umas 18h de um domingo. Não há momento pior na semana do que 18h de um domingo. O dia estava meio avermelhado de fim de tarde e eu tinha certeza daí que o apocalipse seria naquela noite. Talvez não o fim do mundo, mas o fim do meu mundo. Voltei pra casa.

Eu ia morrer. Minha mãe ia morrer. Meu pai ia morrer. Minha vó. Meus tios. Qualquer pessoa em quem eu pensasse. Eu tinha até me esquecido de que eu estava ficando louca. Eram meia noite e o sono não vinha. Eram 2h e o sono não vinha. Eu tinha aula no dia seguinte, meu corpo tá achando que pode ficar de firula comigo? Então de repente, não mais que de repente, eu fechava os olhos e via aqueles malditos macacos do filme (2001) e eles gritavam. Gritavam enlouquecidamente. Talvez os gritos que eu queria dar. Eu estava mesmo ficando louca.

Liguei pro meu pai pra saber se ele estava bem (e vivo!!). E fui deitar com a minha mãe pra esperar o telefone tocar com a notícia ruim (porque eu tinha certeza absoluta de que aquele era um sinal de Deus me dizendo: você é iluminada por mim e a partir de hoje terá o dom da premonição). Eu não dormi, minha mãe não dormiu porque eu não deixava ela dormir e foi o caos.

No dia seguinte, mamis não queria me deixar ir pra aula (e estava bem puta comigo por não tê-la deixado dormir), mas eu lembro bem do que respondi: "se eu não for pra aula, vou num psiquiatra.". Conseguimos consulta pra dois dias depois, e eu me entupi de Dramin nesses dias pra dormir, eu só queria dormir.

Quando contei toda minha história pra Dra. Mônica (ohn), ela falou que isso era conhecido como "X" (não lembro o nome científico.. algo como Síntrome de fulano) ou popularmente Síndrome do Pânico. Comecei a tomar Ansiolíticos, mas a sensação primeira era a de que eu tinha perdido todos meus sentidos, que eu não era ninguém, o remédio tinha me tirado de mim (oi, o objetivo era esse, não?). Fiquei meses tomando (e aqui a história vai ser mais resumida porque ninguém merece), mas depois de 8 meses os efeitos passaram e eu voltei a ficar mal. Troquei por um Antidepressivo e um outro bonitinho lá que eu não me lembro pra que servia (pra me curar, óbvio). Tomei por mais alguns longos anos, até que consegui me livrar.

Se me curei? Não. Se acredito na cura? Talvez.
No meu caso, sei bem por que a cura não veio. Sou sedentária, passo horas na frente do computador, sofro pra ter uma vida social (o que me faz pensar que há um tico de depressão no caso) e não tenho uma alimentação saudável.

Se vale a pena ficar esperando outra crise? Posso garantir que não. E garanto isso com o desespero de quem passou uma noite acordada. De quem há dias vem pensando "e se eu morrer amanhã?" (gente, é um pensamento comum, mas quando ele se torna obsessivo, não é mais tão comum).

Hoje eu já consigo me controlar. Muitas vezes liguei pra Dra. Mônica com medo e ela me respondia "você já sabe o que é, controle-se". É um pouco mais calmante saber o que é, é verdade, mas ainda é ruim. =(

O que fez bem pra mim além dos remédios: exercícios físicos, o cão e um hobby. Eu não tenho mais nenhum dos três, vivo pra faculdade e pro trabalho e gasto meu tempo livre na frente dessa merda, então mea culpa!!

Não sei se o relato ajuda alguém, mas me ajuda escrevê-lo e perceber o quão idiota estou sendo por negligenciar minha saúde, meu bem-estar, minha auto-estima e meus relacionamentos.
Projeto Verão 2010, estamos aí.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Telva me fez mais feliz.

Me segurei muito pra não comprar a Telva desse mês porque o brinde que vinha nem era tão envolvente, são lencinhos cheirosinhos pra bebê da Bvlgari... Eu não sou bebê, não sou mãe e uso outros artifícios pra ficar cheirosa...

Daí ontem o namorado me apareceu com ela em casa =D
Os lencinhos eu nem abri ainda.. tô com dó, mas já revirei a revista atrás das amostrinhas que sempre vêm (e que minha mãe adora porque 80% são sempre cremes pra 40+) e eis que veio um papelzinho perfumado com o cheiro de ninguém menos que: CHANEL No 5!!!!!!!!!!!!!!!

Não sei se porque ele saiu como "tema" em duas revistas esse mês ou porque é caro demais e fora do meu alcance, mas eu estava meio pensando nesse perfume todo dia.. como seria ele, já que a Marilyn Monroe usava pra dormir - com uma conotação sexy, of course...

Com isso fiquei muito feliz de ter uma amostra da Chanel.. e além de mito, é um perfume muito bom, quem sabe um dia não gasto rios de dinheiro e me dou ele? auihauihauihaiuhaiuahuia

S2